A cultura da soja enfrenta desafios constantes que impactam diretamente a produtividade. Entre os patógenos de solo mais agressivos, o fungo Rhizoctonia solani destaca-se como causador de sérios prejuízos, principalmente no início do ciclo da cultura. 

Essa doença resulta em falhas de estande, tombamento de plântulas e podridões radiculares, comprometendo o estabelecimento da lavoura desde os primeiros dias após a semeadura. 

A utilização de microrganismos benéficos, como Trichoderma e Bacillus, oferece uma abordagem complementar e eficaz. Esses agentes atuam de diferentes formas, protegendo as plantas e promovendo um ambiente de solo mais saudável. 

Ficha rápida: Rhizoctonia solani na soja 

Nome científico Rhizoctonia solani 
Tipo Patógeno necrotrófico habitante do solo; não produz esporos assexuados 
Estruturas de sobrevivência Escleródios e micélio 
Grupos de anastomose relevantes AG-1 IA (mela da soja) e AG-4 (tombamento e podridão radicular) 
Condições favoráveis Alta umidade do solo, temperaturas de 20°C a 30°C, compactação 
Agentes de biocontrole Trichoderma spp. e Bacillus spp. (B. subtilis, B. amyloliquefaciens) 
Mecanismos-chave Micoparasitismo (Trichoderma) e antibiose por lipopeptídeos (Bacillus) 

Principais pontos 

  • Rhizoctonia solani é particularmente agressivo na emergência da soja, causando falhas de estande e tombamento de plântulas. 
  • O grupo de anastomose AG-1 IA causa a “mela da soja”; o AG-4 causa tombamento e podridão radicular. 
  • Trichoderma age principalmente por micoparasitismo, degradando a parede celular do patógeno. 
  • Bacillus age por antibiose, produzindo lipopeptídeos como surfactinas, iturinas e fengicinas. 
  • A combinação de Trichoderma e Bacillus é geralmente compatível e sinérgica no tratamento de sementes. 
  • A rotação com gramíneas (milho, braquiária) ajuda a quebrar o ciclo do patógeno no solo. 

O que é Rhizoctonia solani e como afeta a soja? 

Rhizoctonia solani é um fungo habitante natural do solo, que não produz esporos assexuados, sobrevivendo no solo por meio de estruturas de resistência chamadas escleródios. 

É um patógeno necrotrófico de ampla gama de hospedeiros, sendo particularmente agressivo na emergência da soja. Sua presença pode levar a reduções significativas no estande inicial da cultura. 

Biologia, grupos de anastomose e condições favoráveis à doença 

A complexidade de Rhizoctonia solani reside em sua diversidade genética e fisiológica, manifestada em diferentes grupos de anastomose (AGs). Cada AG pode ter especificidades quanto ao hospedeiro e à agressividade. 

A “mela da soja” é causada pelo grupo de anastomose AG-1 IA, enquanto o tombamento e a podridão radicular são causados predominantemente pelo AG-4. 

A ocorrência da doença é favorecida por alta umidade do solo, temperaturas amenas a elevadas (20-30°C) e compactação, que dificultam a emergência das plântulas. 

O patógeno sobrevive no solo na forma de micélio e escleródios, sendo capaz de permanecer viável por longos períodos. Essa persistência torna o controle de Rhizoctonia solani um desafio contínuo para os produtores, exigindo estratégias de manejo integrado. 

Sintomas em diferentes estádios: do tombamento à podridão de raízes adultas 

Na fase de emergência, o sintoma mais marcante é o tombamento de plântulas, caracterizado pela lesão aquosa e escura na região do colo que culmina na morte da plântula. As sementes podem apodrecer antes mesmo de germinar, resultando em falhas no estande. 

Em plantas mais desenvolvidas, o fungo causa lesões secas e avermelhadas no colo e nas raízes, comprometendo a absorção de água e nutrientes e resultando em amarelecimento e murcha. 

Como o Trichoderma controla Rhizoctonia solani? 

O gênero Trichoderma é amplamente reconhecido por seu potencial no controle biológico de patógenos de solo. 

Esses fungos promovem uma rizosfera saudável, colonizando rapidamente o ambiente radicular da soja, e sua eficácia contra Rhizoctonia solani tem sido demonstrada em diversos estudos científicos. 

Micoparasitismo e competição por espaço e nutrientes na rizosfera 

Um dos principais mecanismos de ação de Trichoderma é o micoparasitismo, onde o fungo benéfico ataca e se alimenta de outros fungos patogênicos, como Rhizoctonia solani. 

O Trichoderma penetra nas células do patógeno e degrada suas paredes celulares por meio da produção de enzimas como quitinases e glucanases, resultando na lise e morte do fungo indesejável. 

Além do micoparasitismo, Trichoderma exerce forte competição por substrato e nutrientes na rizosfera. Ao colonizar rapidamente o ambiente radicular e utilizar os recursos disponíveis, impede que Rhizoctonia solani tenha acesso ao que precisa para se desenvolver e infectar a planta. 

Foco na raiz de uma planta jovem em campo
Raízes de soja expostas no solo, mostrando nódulos de fixação de nitrogênio formados pela bactéria Bradyrhizobium, com plantas jovens de soja ao fundo.

Como o Trichoderma protege a semente e coloniza o solo ao redor da raiz 

No tratamento de sementes, agentes biológicos do gênero Trichoderma formam uma camada protetora ao redor da semente, atuando como uma barreira física e biológica nas primeiras horas e dias após o plantio, período em que a plântula está mais suscetível ao ataque de patógenos de solo. Essa proteção evita que Rhizoctonia solani estabeleça infecções precoces, garantindo emergência mais uniforme e vigorosa. 

Uma vez no solo, Trichoderma demonstra excelente capacidade de colonizar a rizosfera e pode induzir resistência sistêmica na soja, ativando mecanismos de defesa da planta contra o patógeno. Esse efeito promove não apenas a proteção contra doenças, mas também o crescimento e o desenvolvimento da cultura. 

Como o Bacillus controla Rhizoctonia solani? 

Bactérias do gênero Bacillus, como Bacillus subtilis e Bacillus amyloliquefaciens, são bioagentes amplamente empregados no controle biológico de doenças em diversas culturas. 

Antibiose e produção de lipopeptídeos antifúngicos por Bacillus 

Um dos mecanismos mais importantes de Bacillus contra Rhizoctonia solani é a antibiose, que envolve a produção de metabólitos secundários com atividade antimicrobiana. Entre esses metabólitos, destacam-se os lipopeptídeos antifúngicos, surfactinas, iturinas e fengicinas, capazes de inibir o crescimento do fungo patogênico, desorganizando sua membrana celular e levando à sua morte. 

Como o Bacillus atua na semente e na rizosfera de forma complementar ao Trichoderma 

No tratamento de sementes, Bacillus forma um biofilme protetor que coloniza a superfície da semente e, posteriormente, as raízes da plântula. Essa colonização precoce é vital para a proteção contra Rhizoctonia solani nas fases críticas de germinação e emergência. 

A atuação de Bacillus é complementar à de Trichoderma: enquanto Trichoderma se destaca pelo micoparasitismo e forte colonização do nicho radicular, Bacillus oferece potente ação antibiótica e promoção de crescimento, com boa resposta no tratamento de sementes. 

Essa combinação cria um escudo protetor mais abrangente e duradouro contra Rhizoctonia solani. 

Características e complementaridades entre Trichoderma e Bacillus no biocontrole de Rhizoctonia solani 

Característica Trichoderma spp. Bacillus spp. 
Mecanismos de ação principal Micoparasitismo, competição por nutrientes e espaço, antibiose e indução de resistência sistêmica (ISR) Antibiose, competição, promoção de crescimento vegetal (PGP), indução de resistência sistêmica (ISR) 
Local de atuação preferencial Rizosfera, colonização radicular Tratamento de sementes, rizosfera (produção de metabólitos) 
Proteção da semente Colonização da superfície, barreira física Produção de metabólitos, formação de biofilme 
Longevidade no solo Boa, depende da espécie e condições Muito boa (formação de endósporos resistentes) 
Compatibilidade entre si Geralmente compatíveis e sinérgicos Geralmente compatíveis e sinérgicos 

Fonte: literatura científica de fitopatologia e biocontrole; UFV (2021); UTFPR (2019); Brazilian Journal of Development (2020). Valores indicativos; variam conforme cepa, solo e cultura. 

Como estruturar um programa de biocontrole complementar para Rhizoctonia? 

Estruturar um programa eficaz de biocontrole para Rhizoctonia solani na soja exige uma abordagem integrada e estratégica. O objetivo é otimizar a proteção da lavoura desde as fases mais críticas, garantindo a formação de um estande saudável e produtivo. 

O planejamento deve levar em conta o histórico da área, as condições de solo e clima e a tecnologia das sementes. 

Combinação de Trichoderma e Bacillus: sinergia e compatibilidade técnica 

A combinação de Trichoderma e Bacillus oferece uma sinergia poderosa no manejo biológico da podridão radicular da soja causada por Rhizoctonia solani. 

Essa abordagem multifacetada aumenta a pressão de biocontrole sobre o patógeno, combinando micoparasitismo, antibiose e colonização competitiva da rizosfera. 

A compatibilidade entre esses microrganismos é geralmente alta, permitindo sua aplicação conjunta no tratamento de sementes e no sulco de plantio. 

Entretanto, é crucial consultar as recomendações dos fabricantes para garantir a correta aplicação e a manutenção da viabilidade dos bioagentes. 

Integração com manejo cultural e rotação de culturas 

O sucesso de um programa de biocontrole de Rhizoctonia solani depende também da integração com práticas de manejo cultural adequadas. O plantio direto melhora a estrutura do solo e a atividade microbiológica, criando um ambiente menos favorável ao patógeno. 

A qualidade das sementes é outro fator crítico: sementes vigorosas e livres de patógenos favorecem emergência rápida e uniforme, reduzindo o tempo de exposição da plântula ao fungo. 

A rotação de culturas com gramíneas, como milho ou braquiária, ajuda a quebrar o ciclo de Rhizoctonia solani, diminuindo o inóculo no solo. A escolha de cultivares de soja com tolerância ou resistência a doenças de solo também pode complementar o biocontrole, assim como o ajuste da densidade de plantio e o manejo de plantas daninhas, que contribuem para reduzir a pressão do patógeno na lavoura. 

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Perguntas frequentes 

1. O que é Rhizoctonia solani? 

É um fungo necrotrófico habitante do solo, que não produz esporos assexuados e sobrevive por meio de escleródios e micélio, sendo particularmente agressivo na emergência da soja. 

2. Quais os principais grupos de anastomose de Rhizoctonia solani na soja? 

O AG-1 IA, causador da “mela da soja”, e o AG-4, causador predominante do tombamento e da podridão radicular. 

3. Quais os sintomas de Rhizoctonia solani na soja? 

Na emergência, tombamento de plântulas com lesão aquosa e escura no colo; em plantas mais desenvolvidas, lesões secas e avermelhadas no colo e nas raízes, com amarelecimento e murcha. 

4. Como o Trichoderma age contra Rhizoctonia solani? 

Principalmente por micoparasitismo: penetra nas células do patógeno e degrada suas paredes celulares com enzimas como quitinases e glucanases, além de competir por espaço e nutrientes na rizosfera. 

5. Como o Bacillus age contra Rhizoctonia solani? 

Por antibiose, produzindo lipopeptídeos antifúngicos (surfactinas, iturinas e fengicinas) que desorganizam a membrana celular do fungo patogênico. 

6. Trichoderma e Bacillus podem ser usados juntos? 

Sim. A compatibilidade entre eles é geralmente alta, permitindo aplicação conjunta no tratamento de sementes e no sulco de plantio, criando um efeito sinérgico de proteção. 

7. Quais práticas culturais ajudam no biocontrole de Rhizoctonia solani? 

Plantio direto, uso de sementes vigorosas e livres de patógenos, ajuste da densidade de plantio e manejo adequado de plantas daninhas. 

8. Por que a rotação de culturas com gramíneas ajuda no controle? 

Porque culturas como milho e braquiária não são hospedeiras do patógeno, ajudando a quebrar seu ciclo e reduzir o inóculo no solo.